O que podemos esperar em 2019 para a profissão farmacêutica?

A profissão farmacêutica vive em constante transformação. Desde resoluções que facilitam o trabalho, até reestruturações dos cursos de graduação e pós-graduação fazem com que o profissional agregue novas funções na rotina.

No campo da farmácia clínica, as mudanças são mais do que perceptíveis. Estudo realizado pela Abrafarma, em parceria com a Universidade Federal do Paraná, revelou que houve aumento da identificação profissional com serviços farmacêuticos (96% dos entrevistados consideram os serviços clínicos um passo importante para a profissão).

O crescimento desta aprovação está atrelado ao aumento do número de consultórios farmacêuticos e espaço para atendimento em saúde realizados pelos profissionais em farmácia clínica. Somente as farmácias de grandes redes contabilizam 1.700 que possuem locais para atendimentos. De acordo com a Abrafarma, a projeção é chegar a 2.900 até o final deste ano.

 

Resoluções e mudanças curriculares

Na medida que a farmácia clínica cresce e ganha confiança dos farmacêuticos, a necessidade por regulamentações também toma espaço. Este campo é o que chama a atenção dos farmacêuticos e professores de farmácia clínica do IBras, Bruno Rodrigo Minozzo e Fabiana Marques Carizio. Segundo ambos, as resoluções do Conselho da classe foram essenciais para a transformação da profissão.

Quando se formou em Farmácia Bioquímica, Fabiana percebeu uma grande formação de farmacêuticos generalistas, pela consequente mudança no currículo dos cursos de graduação. O cuidado ao paciente, segundo ela, começou a crescer aos poucos e se torna, hoje, uma das áreas mais promissoras para o farmacêutico.

Fabiana destaca que o crescimento desta área se deve muito à RDC nº 44/2009, que instituiu as boas práticas farmacêuticas em farmácias e drogarias. “Posteriormente, a resolução da Res. nº 585/2013, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que regulamentou as atribuições clínicas do farmacêutico, juntamente com a Res. nº 586/2013, o farmacêutico começou a se destacar como um profissional da saúde e não apenas como um dispensador de medicamentos”, conta.

Essas mudanças, além da criação de programas de residência e cursos de pós-graduação, capacitam o farmacêutico para uma nova realidade da profissão e abre novos campos de trabalho. “Hoje ministro aulas para farmacêuticos que prestam serviços farmacêuticos na drogaria; o que eu queria fazer quando saí da graduação  hoje é uma realidade”, completa a professora.

O marco que as Resoluções n° 585/13 e n° 586/13 – sobre as atribuições clínicas e a prescrição-  deixaram também são nítidas na visão do professor Bruno Minozzo. “O ano de 2013 foi bastante significativo para a categoria, sem dúvida, é a representação da importância da assistência farmacêutica no Brasil; com efeito, o farmacêutico sentiu-se chamado a assumir de fato seu papel como clínico”, ressalta.

Segundo ele, desde que se tornou farmacêutico, a principal mudança que notou foi a busca dos profissionais em se especializar para o atendimento em saúde nas mais diversas áreas da saúde. “Como consequência, foi notória a progressão da qualidade do cuidado farmacêutico oferecido, aliada à expressão dos serviços farmacêuticos prestados ao paciente e à sociedade”, completa.

 

E a partir de agora?

O avanço na farmácia clínica é uma das projeções para 2019, de acordo com Minozzo. “A farmácia clínica tem avançado sobremaneira em áreas como inovação de tecnologias em saúde, estudos envolvendo uso de medicamentos, entre outros”, conta. O maior desafio para este ano, segundo ele, está no estudo, desenvolvimento e implementação de modelos profissionais de prática.

“Para isso, se exige muito estudo e aperfeiçoamento; não dá para cada profissional achar que seu jeito é o jeito certo de fazer; decisões clínicas, envolvendo pacientes e suas histórias clínicas, devem ser pautadas em protocolos clínicos, diretrizes e normas terapêuticas amplamente discutidas e validadas”, avalia.  O professor indica que, ao envolver sua conduta no compromisso com a boa evidência científica, o profissional de saúde, em especial o farmacêutico, não está diminuindo sua capacidade global de decisão. “Sua competência e perícia continuam, só que com algo a mais, que são informações relevantes a orientá-lo naquilo que já foi testado à luz da ciência; ganha-se experiência naquilo que funciona e evita-se o que sabidamente pode comprometer os resultados do trabalho e a saúde dos pacientes”, informa Minozzo.

Para Fabiana Carizio, ainda é preciso consolidar os serviços farmacêuticos como uma realidade em muitas farmácias e drogarias. O desafio para 2019 é tornar este trabalho  uma obrigatoriedade, com a presença permanente do farmacêutico. Ainda de acordo com ela, o farmacêutico também precisa ser efetivado como membro da equipe multidisciplinar – e não ficar restrito a gestão – no âmbito hospitalar. “Mas para tudo isso precisamos de conhecimento; o desafio do farmacêutico é adquirir, aprimorar e consolidar seu conhecimento, para que ele se torne cada vez mais necessário”, salienta.

 

Tecnologias

As projeções e desafios para 2019 também alcançam o varejo farmacêutico. De acordo com o presidente executivo da ABCFARMA, Felício de Rosa Neto, o varejo farmacêutico, bem como muitos outros segmentos, estão evoluindo rapidamente e a tecnologia é o caminho para otimizar o trabalho. Estes aparatos contribuem para fidelizar seus clientes e criam formas de melhoria contínua de gerenciamento.

“A melhor maneira de controlar estoques, evitar rupturas, gerenciar uma unidade farmacêutica e/ou um grupo de unidades é através da tecnologia; temos assessorado associados na implementação de “atendimentos farmacêuticos” e percebemos que até as fichas de atendimento são mantidas de forma digital para facilitar o acompanhamento do paciente e/ou de seu retorno”, explica Neto.

Para ele, a farmácia é a porta de entrada do atendimento à saúde e, com isso, os profissionais precisam estar sempre bem preparados para receber os pacientes, orientá-los, entender suas necessidades e, se necessário, encaminhá-los para um atendimento médico. “A tecnologia está cada vez mais presente nos serviços clínicos farmacêuticos para apoiar profissionais e usuários de maneira eficaz  profissionais e público em geral; a evolução tecnológica é muito rápida e não se pode perder tempo”, completa.

You may also like...

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *